Parabéns Bolsonaro e nossos sinceros agradecimentos a Ministra Damares

Ainda estou fazendo a digestão das eleições que levaram o deputado Jair Messias Bolsonaro ao cargo de Presidente da República e confesso a minha perplexidade pelo desanimo que seus opositores foram acometidos, inclusive este que aqui vos escreve também foi acometido por tal desanimo, tenho assistido aos atos nefastos que estão promovidos por este governo que nem começou e estou percebendo que vamos nos tornar cada vez mais um país burlesco no cenário mundial, vi a Ministra Damares e suas sinceras considerações sobre seu encontro com Jesus.

Honestamente não fiquei perplexo ou chocado pelo fato dela ter visto Jesus no pé de goiaba, afinal ninguém sabe o chá que ela toma ou o que ela fuma, mas o que ficou muito indigesto e nada agradável foi a ideia do Bolsa Estupro, ou seja, lá o nome que queiram dar a este possível projeto descabido, sem sentido algum e vomitado em rede nacional pelos mais diversos meios de comunicação desta nação.

Como sempre o governo olha para a consequência final e não para aquilo que irradia a gravidez da mulher que foi violentada, porém ninguém falou ou está expondo de maneira clara e evidente todos os acontecimentos que antecedem a gravidez da mulher neste tipo de situação, por toda a humilhação que ela passa física e mentalmente, mas antes de falarmos da minha indignação quero falar sobre especificamente sobre o que antecede o sexo, fazer amor, dar uma pimbada seja o nome que queira dar ao ato em si, por isto pouco importa nesta discussão qual o nome preferido de cada para o ato sexual.

Vou aqui me tomar pelo homem médio, ou pelo homem comum, que nasceu nos anos 80 e que cresceu em uma família constituída da maneira tradicional e privilegiada, para divagar com vocês sobre os atos preparatórios para que uma mulher tenha interesse em um homem, me lembro de meu avô me dizer que uma mulher merece todo o respeito de um homem e que respeitar uma mulher não se deve fazer somente pela beleza, mas sim pelo fato de ser mulher. Me lembro do meu pai dizer que não se deve jamais abraçar uma mulher que não queira ser abraçada, que devemos dar a elas segurança, amor e carinho. Me lembro de minha mãe dizendo que toda mulher gosta de se sentir segura ao lado de um homem e que mulheres usualmente preferem homens inteligentes.

O que eles esqueceram de dizer ou que não sabiam na época é que devemos respeito a todas as pessoas e que devemos respeitar cada ser humano, simplesmente pelo fato dele ser um ser humano, que todo ser humano é falho e muitas vezes é inseguro e todos podemos ser providos de algum senso de moral, mas que por muitas vezes nos limita a compreensões erradas da vida e da liberdade humana. Como um profundo admirador da força da mulher e das lutas que elas travam todos os dias, sempre fui um pouco Vinicius de Moraes e por elas sempre estive apaixonado, algumas pela sua inteligência, outras por sua experiência de vida, algumas me apaixonei pela sua posição política, enfim sempre fui apaixonado pelas mulheres e nem sempre fui o escolhido para estar com elas em sua conjunção carnal, algumas porque eu não queria e outras porque não tive a habilidade de entender suas vontades ou falta delas, afinal quando pensamos em uma sociedade igualitária devemos estar preparados para ouvir um não de alguém e lhe agradecer por isso, porque quando chegar a minha hora de responder ao desejo de alguém com um não quero ser respeitado por isso.

Sempre pensei que a sociedade evoluía, quer seriamos cada vez mais iguais como de fato devemos ser e entender que somos compostos da mesma matéria corpórea, pensando em evolução social sempre me chocou e me choco a cada vez que escuto a palavra estupro, porque ela carrega consigo a violência a qual a pessoa foi acometida. Estive ao lado de duas pessoas que sofreram estupro, uma era filha da amiga de minha mãe, a menina saiu para trabalhar e um cara dentro de um carro a abordou pedindo informação, quando ela olhou ele estava com a arma apontada para ela e a fez entrar no carro e por algumas horas a violentou de maneira seguida. Outro caso foi com a prima de um amigo, violentada por dois homens por quase um dia inteiro, ela tinha apenas 14 anos na época, não havia tido relação sexual com ninguém antes e ali sepultou sua inocência. Estes dois casos tem uma coisa em comum assim como todos os outros casos de estupro tem em comum, elas não queriam fazer sexo com aquele homem que as forçou e nada justifica tal violência sofrida por uma mulher, seja a roupa que elas estavam usando ou o local que elas estavam, nada disso importa, porque o que importa é de fato elas não quererem ter relação com aquele homem que a violentou.

Julgar uma mulher pelo como ela se veste é algo ridículo, inaceitável, machista e ultrapassado para o modelo de sociedade que acredito todos nós almejamos, outro dia em um parque estava com meu filho e com a minha sobrinha, estava fazendo sol e meu filho brincava sem camiseta, porém minha sobrinha não pode ficar sem a camiseta por ouvir que isto não é coisa de menina. Quando ouvi alguém dizer isso percebi que estávamos falando sobre meninas de 4 anos não poderem tirar a camiseta em público, fiquei bravo, indignado porque meu filho e minha sobrinha são dois seres humanos, mas a sociedade favorece desde pequeno em pequenas coisas os meninos, voltamos a tempos distantes e nossa cultura machista resolveu aflorar novamente ou estava apenas adormecida por algum tempo.

Fazendo este paralelo com a situação do estupro e que o fato das meninas não poderem tirar a camiseta é que ainda hoje ouço e com certeza vocês devem ouvir algumas frases do gênero:

“Também vestida assim, só podia acontecer isso”

Ou já ouviu esta frase:

“Sendo nova assim, tendo essa liberdade, dançando desse jeito só podia acontecer isso”

A sociedade ainda culpa as mulheres por serem vítimas de estupro, uma roupa não define um caráter, uma dança não define um caráter, a liberdade não deve causar a falta de respeito e fazer com que a sociedade seja permissiva ao disparar estas frases, uma pessoa que não merece e não deve ser estuprada por nenhum motivo, a sociedade mascara o problema como algo que só aconteceu porque a vítima se colocou nesta situação, o estuprador é uma pessoa doente e que sente prazer ao infligir dor a outro, humilhar, subjugar e a sociedade usa de artifícios nefastos como estes que estou aqui expondo para dizer ou justificar que a culpa é da vítima que foi violentada e agredida por sua conduta? Estes não são motivos para justificar este ato nefasto, lascivo e libidinoso.

As mulheres continuam sendo vítimas da sociedade e do governo, muitas vezes uma mulher e um homem que estão apaixonados e que por ato falho acabam por engravidar não querem ter um filho e fazem a pratica do aborto, por entender que a paixão que sentem pode ser ou não eterna e por isso decidem tirar um filho, ou então casos de uma noite que acabam por conceber um filho que não era o desejado e fazem aborto, quantas mães solteiras tiveram filho, mas o pai abortou eles da própria vida e este última caso é o de maior incidência no nosso país, as mulheres continuam sendo maltratadas e violentadas pela sociedade e pelo governo composto de homens velhos e retrógrados que entendem que no caso de uma relação que há ou houve amor, ou desejo, ou paixão, não podem abortar por serem acometidos por uma gravidez não desejada, falamos em liberdade de expressão, em liberdade econômica, mas ainda algemamos mulheres por não poderem escolher o seu futuro ou ter liberdade sobre o seu corpo, deixamos elas aprisionadas em velhos conceitos de moralidade e assistimos de maneira imoral o General Heleno dizer:

“Valor irrisório isenta Bolsonaro em caso de ex-assessor”.

Posso compreender a estranheza de muitos ao fato de uma mulher querer abortar quando ela teve por vontade própria junto ao seu companheiro, mesmo que este companheiro seja de uma noite a vontade de abortar, mas não consigo conceber porque uma mulher não pode abortar uma gravidez que é fruto de uma relação indesejada, fruto de uma relação violenta, fruto de uma humilhação por ela sofrida, porque ela deve levar em frente uma gravidez que lhe trará mais humilhação e desconforto, ninguém consegue responder esta pergunta, nem mesmo aqueles que apoiam esta ideia louca e estapafúrdia, claro que há aquelas mulheres que ainda sim decidem levar a gravidez para frente, mas este é o ponto fora da curva, devemos pensar na pessoa média, não devemos conceber leis ou fazer projetos de lei neste caso pensando apenas em situações pontuais.

A humilhação de uma pessoa estuprada é tamanha que reflete por muitas vezes para o resto de sua vida, esta fissura causada pelo momento de terror vivido e de ter seu direito de ir vir ceifado, por ser conduzida a um local que não era seu destino na maior parte das vezes, por ser obrigada a ter relação sexual com quem não quer, o seu desespero e sua luta, seus gritos que não são ouvidos, suas lagrimas que caem sem ninguém para enxugar naquele momento, não refletem o desejo de engravidar e aquele que a causa dor também não o tem, seu único desejo é saciar sua própria lascívia, como se não o suficiente fosse tudo isso, a vítima deverá contar para alguém o ocorrido e reviver o ato indesejado, contar para um delegado ou investigador, ser levada ao hospital, tomar uma serie de remédios contra uma série de doenças, ser submetida a corpo de delito e ter seu corpo invadido por instrumentos novamente para coletar DNA, enfim é uma humilhação enorme para qualquer ser humano, uma fissura que nunca irá se fechar seja física ou mentalmente, por mais que a dor e o momento sofrido com o tempo pareçam distantes por vezes na calada da noite ou em um pesadelo poderá revisitar o momento pregresso e sua dor e angustia voltaram a luz da razão.

Uma castração química não resolve o problema e nem mesmo diminui a dor e o trauma da vítima, pois no final nada irá apagar o trauma por ela sofrido e portanto proibir que ela faça o aborto em uma relação que não era de seu desejo é aumentar o trauma e essa fratura causada na alma, no corpo e na mente, sugerir que uma bolsa estupro no valor de R$ 85,00 seja justo a mulher que engravidar e quiser ter um filho é algo desrespeitoso e amoral, a pessoa que sugere este tipo de coisa não tem conhecimento ou noção qualquer do que é moral e digno ao ser humano, desvaloriza tudo aquilo que a vítima passou com o estuprador.

Estas situações causam traumas nas pessoas que são vítimas de estupro e nos seus familiares, para eles o sinônimo de justiça não é castração química ou bolsa estupro e sim prisão e pena a aquele que lhes causou tanto sofrimento, pois desta maneira a vítima poderá saber que seu estuprador por algum tempo não estará na rua, que as consequências do ato por ele infligido a vítima será público e o mesmo terá que carregar este estigma, tendo seu nome inserido no rol de condenados.

Por todos os motivos que aqui estão ou espero que estejam claros, Parabenizo Jair Bolsonaro e a Ministra Damares por trazer a luz essa discussão, por deixar claro os problemas da sociedade machista, retrograda e louca em que vivemos, deixando a luz todas as pessoas machistas, sejam elas homens ou mulheres, pois acreditem tem mulheres que são favoráveis ao machismo, aquelas que por exemplo que acham que mulher não ter que ir a luta e trabalhar, mas sim apenas ficar em casa, ou aquela que acha que somente o marido deve ser provedor ou aquela que pensa que somente o namorado pode sair sozinho com os amigos para tomar uma cerveja e ela não, mas sou grato por poder ver algumas mulheres se unirem e criarem uma palavra para esta união, que a sororidade seja cada vez maior, que as mulheres sempre se unam em favor das causas que não lhe fazem justiça e contem com apoio deste homem que pouco entende a causa feminista, mas que muito se esforça para combater as injustiças.

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André Rossi Zaffani – O Plutocrata

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