Dessalinização da água vendida como novidade por Bolsonaro, já é realidade em nove Estados brasileiros

O presidente eleito Jair Bolsonaro veio a público em sua conta do Twitter nesta Terça (25) para firmar sua intenção de parceria com Israel e realizar a manutenção de um governo submisso aos EUA.
Apesar de Bolsonaro terminar sempre suas frases com as palavras “sem viés ideológico”, o discurso de aproximação faz parte do cabo-de-guerra entre os dois blocos econômicos que surgiram na guerra fria e é motivo de disputa política até os dias atuais.
De fato, Israel é o líder mundial em segurança hídrica. Domina técnicas de reutilização da água em todos os métodos pois, o país adotou o tema como Política Nacional desde 1955, deixando para trás países como Itália, Espanha, Austrália e ilhas do Caribe, onde a escassez de fontes naturais tornam o processo de dessalinização não apenas o mais viável financeiramente mas a melhor opção em todos os contextos.
Em 1° de Maio de 1.500 Pero Vaz de Caminha, descreveu em carta enviada ao Rei D. Manuel a primeira impressão que teve ao ancorar no litoral da Bahia. No relato do descobrimento de uma terra que no futuro se chamaria Brasil, Vaz de Caminha, se mostra estupefato com as riquezas naturais ali encontradas: “uma mata exuberante, água em abundância, pássaros coloridos e os índios que habitavam a região”. A carta, que é praticamente nossa certidão de nascimento mostra a impressão de uma terra com água eterna e gratuita principalmente pela constatação de que a Amazônia e a zona da mata Atlântica cobriam 2/3 do território nacional.
No entanto, as aglomerações dos grandes centros urbanos, a poluição e degradação dos mananciais somados a falta de investimentos, já faz com que o acesso das pessoas a água seja cada vez mais oneroso.
O Brasil possui estruturas de dessalinização instaladas desde a década de 90. O Programa Água Boa surgiu em 1997 ainda no governo FHC, já em 2004 o programa integrou a pasta do Ministério do Meio Ambiente e mudou o nome para Programa Água Doce (PAD). Desde então, apesar de enfrentar questões de sustentabilidade como a destinação ambientalmente correta dos rejeitos do processo a reutilização e dessalinização da água já é realidade principalmente nos Estados do Nordeste e Norte de Minas, regiões historicamente castigadas pela ausência de disponibilidade hídrica.
Será que a questão é tão simples? Sabemos da urgência do Nordeste, mas a insegurança hídrica é o pior fator em todo o país. A região Sudeste por exemplo, enfrentou uma grave crise hídrica de 2014 a 2016 que atingiu milhares de pessoas no Estado de São Paulo. O Estado mais rico do país ficou refém da chuva e da negligência do ex-Governador Geraldo Alckmin. O sistema Cantareira poderá demorar décadas para atingir sua capacidade novamente.
País descuida da água e não trata maior parte do esgoto urbano
Falta de tratamento da água utilizada, poluição dos mananciais, alteração no regime de chuvas e maior disponibilidade do recurso longe dos grandes aglomerados populacionais são desafios para o país, que tem grandes reservas hídricas.
A questão é que temos que pensar no plano B, C e D e não precisamos do Netanyahu para tal. Por quê não debatemos o tema da falta de saneamento básico? Hoje 19 dos 39 municípios da região metropolitana de São Paulo ainda são coniventes com indústrias que descartam resíduos não tratados no Rio Tietê.
Segundo o IBGE, 30% de domicílios brasileiros não tem saneamento adequado. Além de causar a baixa qualidade da água devido o errado esgotamento sanitário, contamina solo, meio ambiente e ameaça a saúde da população. Mais da metade (60%) de todo esgoto no país não é tratado e lançada em rios, lagos e represas. Ainda segundo os mesmos dados 6% não contam com coleta de lixo.
A perda de água nos encanamentos da Sabesp são outro problema. Somam 20% do total da distribuição de 2018 e já chegaram a 36% de desperdício em 2016, em pleno ano da pior crise hídrica no Estado de São Paulo.
O Banco Mundial colocou o Brasil na posição de 119° numa lista de 200 países com relação a saneamento básico (água e esgoto). O Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), quer resolver até 2033 os problemas da área no Brasil, de acordo porém, com relatório do Instituto Trata Brasil e do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, no atual ritmo de liberação de recursos, essa meta só será atingida em 2050. Para universalizar a cobertura até 2033, o instituto calcula investimento total da ordem de R$ 313 bilhões, cerca de R$ 15,6 bilhões por ano.
Resumindo Bolsonaro sabe que o problema é mais complexo do que ele demonstra e sua aproximação com Israel não passa de um capricho da sua ausência de cuidado ao lidar com política externa elucida um retorno ainda mais execrável dos tempos de FHC ao falar grosso com vizinhos latinos e falar fino com os EUA.
Apesar de se tornar cada vez mais viável e uma alternativa válida para qualquer país, principalmente um com extensão 7.400 km de território banhados pelo Oceano, países ricos como o próprio EUA ainda reutilizam apenas 0,3 de sua água.

Fontes: 

Senado Federal
EBC
Folha de São Paulo
G1

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2 comentários Adicione o seu

  1. Luis Laranjeira disse:

    O que se tem hoje é o resultado de 16 anos de desGoverno.

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  2. José Augusto disse:

    Faça um texto sobre os 16 anos que esses ladrões do PT estiveram no poder e nada fizeram para melhorar a questão sanitária e tampouco levar agua ao nordeste. Hipocrisia pura e simples de um jornalismo ideológico

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