Criminalização da esquerda: Discurso de posse estimula derramamento de sangue para livrar o Brasil do ‘socialismo’

Para quem achou que o discurso de Jair M. Bolsonaro na cerimônia de posse (aquele mais importante que define a diretriz de qualquer governo pelos próximos quatro anos) fosse integralista e pacifista se enganou. E muito. O fato de mencionar o respeito “aos fundamentos democráticos”, ao cumprimento da Constituição, estimular o nacionalismo e amor a pátria ao mesmo tempo que declara nítida perseguição a pensamentos e práticas da política de bem estar social de centro esquerda, adotadas desde o início dos anos 2000 não apenas no Brasil mas em quase toda a América Latina e que vieram a fazer jus e cumprir artigos importantes da nossa Constituição Federal mesmo que de forma deficiente e emergencial, acaba por não estimular a união de toda a nação.
“É com humildade e honra que me dirijo a todos vocês como presidente do Brasil, e me coloco diante de toda a nação neste dia, como um dia em que o povo começou a se livrar do socialismo, se libertar da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto…” continuou Bolsonaro “…também estou aqui para renovar nossas esperanças e lembrar que se trabalharmos JUNTOS, essa mudança será possível”.
Mais a frente citou novamente “construirmos JUNTOS”, mas não sejamos inocentes.
O jornalista Alex Solnik, fez importante observação em artigo ao Jornalistas pela Democracia, escreveu que o discurso de que “nossa bandeira jamais será vermelha” foi utilizada de pretexto para dois golpes de Estado. Mesmo sendo dúbia a dita “ameaça vermelha” obrigou Getúlio Vargas a instaurar uma ditadura em 1937. O dito Estado Novo se originou de documento apócrifo com orientações aos comunistas tomarem o poder. O O documento nunca foi visto e mais tarde foi chamado de “Plano Cohen”.
Em 1964, foi a vez de João Goulart, bastou uma visita a China para ser chamado de comunista, quando fez viagem oficial como vice e retornou como presidente após renuncia de Jânio Quadros em 1961. Desta vez os generais não forjaram documentos mas acusaram Jango, um rico fazendeiro de planejar um golpe comunista. A ditadura militar perdurou de 64 a 86.
Enredo da farsa
Assim como não houve surpresa no discurso da posse, também não se trata de nenhuma novidade que Bolsonaro foi eleito através da desinformação que foi amplamente difundida pelo seu exército de seguidores acéfalos se amparando principalmente nas teorias lunáticas de Olavo de Carvalho, exaltaram a tortura de Ustra, negaram o aquecimento global como Trump e chamaram professores de doutrinadores Marxistas como Alexandre Frota. Porém percebe-se que o nível de encenação teatral atingiu novos níveis quando encontrou pessoas dispostas a serem ludibriadas e entretidas por este show de horrores.
Temer, em suspiros finais diz que “está com alma leve e sensação de dever cumprido ao entregar um Brasil melhor para todos”. Mesmo tendo aprovado o teto daquilo que ele insiste em chamar de “gastos” o que na verdade trata-se de investimento. Pois, quando existe retorno, em economia chamamos de investimento. É o que ocorre quando investimos na educação e saúde, valorando o capital humano. Temer sancionou a flexibilização da relação trabalhista entre empregador e empregado, perdoou dívidas milionárias de bancos privados e mesmo tentando aprovar a reforma da previdência que foi barrada pelo congresso devida enorme pressão da sociedade, ainda foi consultado por Bolsonaro, que pediu conselhos de como governar o Brasil. Na mesma linha a mentira ganha corpo quando precisamos extirpar um socialismo que nunca existiu no Brasil, nem que para isso, o nosso sangue patriótico seja derramado na bandeira verde e amarela, a única forma segundo Bolsonaro, de aceitar que a nossa bandeira seja vermelha.
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